Placentofagia, ou a ingestão da placenta após o parto. É um pensamento perturbante para muitos indivíduos, incluindo aqueles a quem revelei que várias culturas faziam mais do que enrolar a placenta nos lençois ensaguentados do bloco operatório e incinerá-la: há povos que a ingerem, há povos que a usam como meio artístico, e outros que lhe reservam um fim ritualístico. Existem numerosos mitos sobre a ingestão deste orgão efémero, alguns deles não encontrando fundamento sólido na ciência médica.
Há a crença, nos círculos populares, que a placenta ajuda a aliviar a depressão pós-parto. A depressão pós-parto deve-se, sobretudo, à queda da hormona cortisol na circulação. Estudos revelaram que a placenta é produtora de pCHR, que estimula a produção de cortisol, que intervem na patofisiologia da DPP.
A ingestão da placenta estimula a produção de prolactina, que por sua vez promove a produção de leite materno. A placenta contém, ainda, pequenas quantidades de oxitocina, uma das substâncias que regula o estabelecimento de laços entre indivíduos.
Portanto, caros leitores, por via das dúvidas, e enquanto a musa não concede a centelha que me permitirá dispor do tempo suficiente para folhear os estudos médicos que discorrem sobre esta pérola comportamental: ingeri a vossa placenta. Para os mais dados aos devaneios gastronómicos, dar uma vista de olhos pelas seguintes paragens:
Viscoso mas gostoso