Os males da ignorância popular correlacionam-se causalmente com a má qualidade da democracia que é vigente em quase todas as comunidades políticas de carácter nacional.
- A qualidade da democracia é determinada pela qualidade da participação.
- A qualidade da participação é, actualmente, insatisfatória.
- Logo, a qualidade da democracia actual é insatisfatória.
A primeira premissa está fundamentada na neutralidade da democracia enquanto processo de decisão política. A democracia, per se, é uma ferramenta, que se presta aos critérios da sua utilização. A má utilização da ferramenta não é argumento plausível para que a vilipendiemos, mas para que aprendamos a utilizá-la melhor.
Parece-nos a nós que, actualmente, a maioria da população não exerce qualquer tipo de poder real. É, de facto, a justificação para a segunda premissa. As vontades do corpo eleitoral são influenciadas acriticamente através da retórica insubstanciada dos partidos políticos e dos outros agentes da arena política. As massas, pouco dotadas de análise crítica, aceitam as proposições que mais se adequam aos seus preconceitos, por oposição àquilo que é mais sensato.
Esta crítica é especialmente cáustica face à Democracia Representativa. Os cidadãos delegam as suas responsabilidades a terceiros, baseando-se no pressuposto que os tais representantes agem na defesa dos seus melhores interesses. Cremos que este tipo de Democracia é mais susceptível às vicissitudes do acriticismo popular, pois é facilmente conducente à apatia: “vota, e deixa-os governar”. A apatia face ao processo político, quando em conjunto com a falta de educação nas matérias políticas e cívicas é perniciosa, e retira qualquer poder real que os cidadãos possuam.
Identificámos, deste modo, os três factores determinantes da segunda premissa: a falta de esclarecimento, a falta de pensamento crítico e a apatia. Se o povo é pouco esclarecido, acrítico e apático, segue-se que a democracia será igualmente má, pouco mais que uma tirania autocrática.
A chave para resolver todos estes males encontra-se numa educação realmente estruturante, que forneça ao cidadão o conhecimento e as faculdades críticas que lhe permitam tomar as melhores decisões. O Homem educado não é presa fácil para o discurso florido ou emocionalmente carregado. É um Homem capaz de reconhecer as suas necessidades, assim como as da Pólis, e formular as melhores proposições no sentido de as satisfazer, de forma harmoniosa. É o Homem que influencia e é influenciado através de argumentos, ao invés de meras asserções.
Se bem que o aumento da educação não é condição suficiente para o aumento da qualidade da democracia, achamos que vale a pena tentar incutir certas virtudes cívicas e cultivar o conhecimento sobre as questões humanas: apesar de não serem suficientes por si só, são um elemento chave. O indivíduo ignorante não tem qualquer hipótese de afectar, de forma realmente significante, o processo político.
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