Falácias e a vida pública

É inevitável. É um facto da vida na arena pública, um axioma a partir do qual outras verdades podem ser claramente deduzidas: qualquer discussão, especialmente aquelas que decorrem sob contornos informais, irão conter um número considerável de falácias, de todos os géneros. Uma falácia pode perder-se no meio de formulações retóricas sofisticadas, sublinhando a importância do conhecimento das formulações subjacentes às falácias mais comuns, e abatê-las prontamente, sanando o discurso e permitindo que os interlocutores se foquem no propósito do debate: esgrimir argumentos.

A própria definição de “argumento” é obscura, e presta-se facilmente a equívocos e problemas de definição popular. “Argumentar” é, parafraseando Anthony Weston, popularmente concebido como uma forma mais sofisticada de projectar os nossos preconceitos. Desvelando as camadas de significado popular, encontramos o verdadeiro propósito de “argumento”: um conjunto de razões que se encadeiam em suporte de uma conclusão.

Concluímos facilmente a partir da definição de “argumento” que argumentar se trata – contrariamente ao que popula o imaginário colectivo – de apresentar razões, que justificam afirmações. Uma afirmação sem razões que a sustentem é uma mera asserção, ou seja, algo que apenas se julga verdadeiro.

Destarte, que tipos de argumentos podem ser considerados falácias? Uma falácia é um erro nos padrões de raciocínio que conduzem à conclusão. O conceito de falácia, em lógica, não incide sobre erros factuais: uma falácia deductiva poderá mobilizar como premissas factos verificados e tidos como verdadeiros, sendo que o elemento falacioso se encontra na estrutura do argumento. Uma falácia informal incide sobretudo no facto de as premissas não oferecerem suporte suficiente a favor da conclusão, independentemente do valor veritativo de uma premissa.

As falácias encontram-se normalmente veladas por camadas de sofisticação retórica, que as diluem no meio do fluxo argumentativo, e tornam o seu diagnóstico e cura mais difíceis.

A importância do diagnóstico das falácias mais comuns permite uma avaliação crítica dos argumentos que nos são apresentados, e por consequência directa, o pleno exercício da cidadania. Nas comunidades políticas, sobretudo nas que se regem por formas de governo democráticas, o debate com os nossos pares e com os corpos governativos reveste-se de suma importância, onde é necessário oferecer argumentos a favor e contra certas proposições, e onde a transparência argumentativa se torna essencial à vida cívica.

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1 Response to “Falácias e a vida pública”


  1. 1 Malcom Sábado, Maio 14, 2011 às 17:29

    Qual é a importancia de uma falacia?


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