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No Blasfémias: Maturidade e paz com o Establishment

Perdoem-me o inconformismo, mas é o paradigma. Não se atacam ideias, não se esgrimem argumentos, não se conceptualiza. Ataca-se cegamente, por onde se pode.

A ideia subjacente ao “argumento” de Helena Matos parece ser a ideia de que com o advento da maturidade, se vai fazendo a paz com – perdoem-me a expressão anglófona – o Establishment. Com a ordem ideológica, económica e legal vigentes. Este parece ser uma premissa que se baseia nas observações que a Helena faz da natureza dos homens. E que mesmo Francisco Louçã, tão homem como Sócrates (o filósofo, não o “homem de Estado”) terá de se submeter aos ditames das Moiras, as três irmãs que determinavam o destino. Talvez Helena F. Matos não conceba que, chegado às mais altas instâncias do poder, se a vontade  geral assim o determinar, Louçã poderá dar início à mudança radical que permita o desmantelamento das estruturas que permitem desigualdades perversas na nossa comunidade.

E a necessidade dita que nada menos que mudança radical (abordar as raízes do problema) é solução para os males correntes.

Antipolítica no Imaginário Colectivo Português

José Gil, filósofo português, no JN:

“E que “temos de vencer a tendência para nos lamentarmos de tudo e de todos, e de pouco fazermos para melhorar” isso. Corrobora?

É algo muito complicado. O queixume, a lamúria tornou–se perversamente um laço de sociabilidade dos portugueses. É necessário desatar essa perversidade; um laço que devia afastar os cidadãos, mas que os une entre si e não ao país. E não basta dizer. Isso só acontecerá quando a relação do português com o sistema político se modificar. Compete a todos, mas existe uma responsabilidade maior por parte dos que governam.”

Os melhores conselhos possíveis para um país onde a Antipolítica é lei popular. O político, a sua categoria, é julgada sumariamente no banco dos réus do imaginário popular. Há a concepção de que todos os políticos “querem é poleiro”.

“Há uma interligação?

Há uma interligação entre a conduta dos cidadãos e dos políticos, mas que não é puramente dialéctica nem complementar. Há uma responsabilidade acrescida do sistema político em relação aos cidadãos. Por isso têm o poder de governar que não pertence à sociedade civil.”

Falta mencionar a responsabilidade que os cidadãos têm de zelar pela sua comunidade política. Fiscalizar activamente o processo político. Em Portugal, o Estado é Pai, é protector, e é alvo de revoltas púberes. Reminiscescências do Estado Novo, e quiçá, implantadas na memória cultural de um Estado-Nação em que o poder político de um Rei absoluto foi implantado desde muito cedo. Bem antes de alguém ter, alegadamente, proferido “L’État, c’est moi”.


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